Eles nunca tiveram uma relacao normal, ou assumida. E nunca tiveram uma briga, ou conversa seria. Eles nunca tiveram uma tarde sozinhos, e os amores por qual choraram, eram sempre mais importantes do que a tentativa de entender o que era tudo aquilo entre eles. Aquilo que havia comecado como brincadeira, desenvolveu-se sendo errado, tornando-os amantes, de namoros insatisfeitos. E mesmo depois de darem um fim a estes, o relacionamento dos dois so cresceu ao termo “caso”, por haver sempre uma rotina, e dias certos de se verem, e nenhum compromisso assumido. Ela desenvolvia algo, algo semelhante a um sentimento, talvez mais do que carinho. Nao se ama uma pessoa pelas suas qualidades, isso se chama admiracao. Nao se ama uma pessoa por seus defeitos, isso se chama loucura. Se ama uma pessoa pelo cheiro, pelo toque, por momentos, e pelo que tudo isso o fez sentir. Pra ela, estar com ele era como estar em um outro mundo, ela se tornava a mulher que queria ser. A confianca que cresceu sem base alguma, era concreta pra ela. Ele era um escape, de tudo que pudesse deixa-la triste, estressada, pensativa... com ele ela se via livre de problemas.
Um caso tao carnal, baseado em atracao, em toque, em vicios e suas consequencias em duas pessoas que nen sabem se se gostam. Sem nenhum motivo, ela criou afeto por ele. Ele nunca a tratou do jeito que ela queria que um homem a tratasse. Mas ele a tratava do jeito que ela queria ser tratada POR ELE. Ninguem nunca entendeu, mas quem sabe o medo de se arriscar em um relacionamento, ou a certeza de que tudo que comeca tem um fim, fazia outros relacionamentos parecerem tao comuns, chatos, e irrelevantes a ela. Ela gostava de ficar com ele, porque sabia quando comecava e quando terminava cada noite. Sabia que aquele momento era unico, que aquela relacao nao se encontrava em nenhum outro lugar, e era incapaz de machuca-la.
"Apenas um caso" por STEPHANIE BONADIO
publicado no dia 12 de Outubro, 2009.

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