"Eu me sinto muda, como se a minha voz nao tivesse som, ninguem se importa, ninguem. Cada um so se importa consigo mesmo, com coisas banais, ninguem fala de sentimento, e quando falam, e por sofrer por alguem, alguem que tao obviamente nao vale a pena. Me tranco no meu quarto, tentando entender, porque e que quem nao se importa, exige tanta consideracao de mim. Eu me tranco sozinha, pra tentar me entender, ja que ninguem se dispoe a faze-lo. Sozinha, pensando em colocar como prioridae a minha vida, o meu descanso, o meu futuro. As pessoas batem a porta pra dizer que eu sou egocentrica, que so penso em mim mesma. Mas e claro, que elas nao percebem que eu so me comprometi a tal fato porque mas ninguem se dipos a fazer o mesmo. Deixem-me em paz, com tanta futilidade! Com esse mundo de imagens, isso nao e pra mim.
Eu entao caminho, ainda sozinha, de maos dadas a ninguem, carregando comigo apenas meus planos. Casos antigos eu ja esqueci, amor de verdade nao sei se senti, amigos do peito ainda guardados comigo, andam lado a lado no mesmo caminho. Quanto mais eu conheco as pessoas, mais tenho orgulho de mim, ate e claro, o momento em que eu percebo, que as vezes hajo com as mesmas atitudes banais. E impressionante como o meu pensamento e as minhas atitudes se contradizem. Eu divido meu tempo com coisas sem importancia, vicios, e caminhos pro fim. Troco de objetivo, e de pensamentos, todo dia, e a confusao me atinge, a coragem me esquece, o meu corpo enfraquece pelas noites em que a insonia me visitou. Quando sera o fim, e sera que o fim disso tudo, sera mesmo somente quando tudo acabar? E se for assim, qual e a razao de viver querendo mudar?
A bagunca do meu quarto, so eu mesmo entendo, sei onde esta cada coisa, e ao mesmo tempo me perco. Nos cantos vazios me encontro, tambem vazia, e o ponto, ponto que percebo que a vida e muito mais. Eu quero sair, gritar, e fazer o que quer que eu queira fazer, mas que merda! Nen um palavrao, por ser muito rude, nen uma palavra errada, por ser ignorante, e se for muito esperta, perdi a humildade, eu “me acho”. Enquanto pessoas sao idolatradas pela beleza, por seus corpos, por exalar desejo aos outros. Outros exaltados, por fumarem e nao darem a minima pra ninguem, por beberem pra esquecer seus problemas, e acabarem esqucenedo de tudo por fim, coma alcolico, overdose, e isso que eu quero pra mim?
No meu quarto ainda, meu pensamento voa, como um foguete. Na janela, tulipas, que ganhei de alguem, que sabia por sinal, que essas eram minhas flores preferidas. Isso era pra ser algo daquilo que te faz flutuar no ar, sorrir ao lembrar, chorar por nao estar perto. Mas mesmo se estivesse perto, e realmente isso que eu espero pra mim? Mas que bobagem, quem e que se importa, ele e boa pinta, ricao, e te gosta. Seria ridicula se pensasse em nao te-lo, se passasse pela minha cabeca que nao, ele nao me completa. Combinar com ele e se tornar um casal lindo, nao e o suficiente. Paixao, ridiculamente incuravel, nao, nao foi assim que eu imaginei. Sera que eu nao sei amar? Ou isso ainda nao e amor? Ou quem sabe, eu simplismente nao sei como ter um relacionameto... prefiro pensar que simplismente, ainda nao chegou a hora certa. Cliche que forca toda a menina a crer, que o amor existe, me faz ver que nao, nao e ele o principe encantado do meu conto de fadas mal feito.
Sera que existe no mundo, alguem que saiba balancear? Tudo que e demais, sobra, enjoa, faz mal, ate coisas do bem quando sao demais, simplismente sao demais, mais que suficiente, nao e necessario, vai esgotar. E so um pensamento solto no ar.
19 de Maio, faz 14 graus, e as tulipas ainda nao murcharam. Eu nao dormi direito, por pensar demais, sinto o cansaco no corpo, o desgaste na mente, a carencia atordoa meus pensamentos outra vez. Eu olho em volta, que bagunca! Preciso arrumar tudo isso, estudar, tenho provas, e esses textos ridiculos que escrevo, nao vao me levar a nenhum lugar, nao vao me dar um emprego, nao vao me dar futuro e nao vao pagar minhas contas, eu nao tenho talento pra escrever. Aqui, existem no maximo 300 pessoas, nao se pode sair durante a semana, o que nao muda muita coisa, pelo fato de vivermos numa cidade que e um cubiculo. As noites sao sempre iguais, o que varia aos olhos dos outros sao os nomes da bebidas que inventam, drinks que em pouco tempo, tambem vao ser os mesmos, ate que experimentem todos. As pessoas, os casos, os olhares, as atitudes. O clima frio, roubou o bronzeado saudavel da minha pele. E a monotonia, roubou o sorriso do meu rosto. Eu me tornei uma pessoa seria, carente, e fria.
Nao creio que o dom de julgar e digno de ninguem na terra. Tentar entender o ser-humano, em um todo, pode ser complicado, mas entender uma pessoa por completo, e impossivel. Reacoes humanas, doencas, a maneira como o cerebro funciona, tudo isso ja se encontra relatado em livros. Outros livros portanto tentam entender pessoas, nao corpos que simplismente funcionam, e ragem a algo, pessoas, tentam entender pessoas. E esse tipo de pessoa normalmente e justamente aquele que nao consegue se entender, que tenta entender o outro pra se privar da vontade ou do medo de tentar se entender. Seria muito complicado, necessita muita coragem, analizar-se por si proprio, e uma coisa que poucos conseguem fazer. E quando fazem, fazem errado. Ou se depressiam demais, ou se elogiam demais. E aqueles que acreditam estar balanceados, sabem que no fundo aquilo as vezes nao e verdade. E impossivel, e como um rio que nao para, vive em mudanca constante, muda sem parar, sem parar. Aquele que te julgar, ou que tentar te explicar, sem voce pedir, em um tom serio, esta cometendo um pecado, diga a ele(a) que se quizer julgar alguem que julgue a ele mesmo. Nao preciso ser julgada, sei quem sou, o que quero, o que penso, sei dos meus defeitos, minhas qualidades, nao preciso que ninguem me diga. E mesmo nas horas que me pego pensando, que nao sei mais o que pensar, nao sei mais o que fazer, ainda sim, eu sei. Porque eu tenho dicernimento das coisas, o meu ponto de vista de cada situacao, a minha fe pra me dar apoio, todos temos isso, e quando pensamos que nao, e porque temos medo de encarar a realidade segundo nos mesmos.
Sim euacho ate que sou um pouco individualista. Gosto de me ter como prioridade. Amo. Amo a minha familia. Amigos, tenho carinho por muitos, e acredito ser um carinho inabalavel, mas ja acreditei nisso antes em casos que tudo aquilo simplismente acabou. Maldito homem que confia no homem, disse Jesus. Se precisarem de mim estarei la, mas se eu tiver um problema no mesmo grau de dificuldade, eu vou concertar o meu primeiro, sinto muito. Eu penso em mim, porque gosto. Gosto de pensar em mim, de me cuidar, de planejar o meu futuro, de pensr nas minhas coisas, de querer coisas pra mim, de lembrar dos meus tragetos. Gosto de ter minhas musias, meu quarto, meus momentos sozinha, meus filmes, meus sonhos. Eu vivo como eu vivo, nao estou pedindo a voce que tente. Eu penso como eu penso, nao estou pedindo a voce que pense igual a mim. Eu sou como eu sou, nao estou pedindo a voce que entenda. Eu vivo pelo racional. Afinal, as reacoes sentimentais, emocionais, podem ser previstas, mas memso assim, nao hajo assim pra prevenir uma lagrima, ou noites inteiras de um mes de agunia, o ser humano precisa sofrer, precisa sorrir, precisa viver.
As vezes a gente pode pensar, pensar e pensar, e chegar a conclusao; que se eu realmente fizer aquilo, eu vou sofrer no final. agir com o racional e isso. Saber e pensar nas consequencias primeiro, pra depois escolher o que fazer. Mesmo nesse tipo de situacao, preferi aceitar, sofrer, e levantar a cabeca admitindo que aquela tinha sido a minha escolha. Isso e agir com o racional, e deixar de lado os impulsos, saber que pra tudo na vida tem escolha, os pros e contras, e escolher, sabendo das consequencias, sabendo que voce vai aguenta-las de cabeca erguida por ter feito a sua propria escolha."
"Clarice", por STEPHANIE BONADIO.
escrito em 2007; publicado na internet no dia 12 de Outubro, 2009.

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